A obra de Mônica nesses 20 anos (1988 – 2008) surpreende ao acessar a intrínseca relação entre o público e o privado, utilizando sua cidade e sua gente, sua casa, família e a própria pessoa, como sujeitos. Mônica é de Salvador e no eixo de sua prática a sua cidade sempre se mostra como campo de inspiração.
O approach artístico de Mônica, simultaneamente, etnográfico e autobiográfico, sobressai-se pela intimidade e sensibilidade com que ela envolve seus temas. Essa intimidade e sensibilidade funcionam, também, como ponto crítico em sua obra e denunciam a relação do olhar antropológico tradicional sobre o outro e a cidade que, eventualmente, acha possível um olhar desvinculado do objeto. A abordagem de Mônica permite uma fluidez e uma intersubjetividade entre esses códigos de objetividade.
A pureza de expressão da sua linguagem visual, sendo os seus principais suportes vídeo e fotografia, localiza o despercebido que silenciosamente interliga artista-sujeito-espectador. Mônica representa seus temas de maneira atmosfericamente íntima, construindo-os, também, de maneiras sensoriais, despertando o inconsciente do espectador. Isso libera o espectador de julgar o que ele vê de uma forma didática, permitindo que os personagens da sua obra sejam percebidos de uma maneira não-tradicional.
Os temas de Mônica residem também na desconstrução de binários (negro-branco, verdade-mentira, pobre-rico, cidade-quilombo), como se buscasse, intencionalmente, nas brechas existentes da falsa solidez desses conceitos, as suas questões.
Los Angeles, outubro de 2008.
Nicolau Vergueiro
Artista visual, nascido em Nova Iorque, 1977, e radicado em Los Angeles, com Mestrado de Artes Plásticas (MFA) da CalArts